"Mas o que acontecera ao certo a Sabina? Nada. Deixara
um homem porque queria deixa-lo. Esse homem tinha vindo atrás dela? Tinha
querido vingar-se? Não. O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O
que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser."
25 de mai. de 2013
11 de mai. de 2013
Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo.
Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que signiï¬camos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto.
José Luís Peixoto - 'Antídoto'
6 de mai. de 2013
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