Solitude nos
pés. Longe da cabeça, um membro ao norte do coração. Ele pousa no chão gelado,
não é pássaro e nem quer ter ninho. Eu também não quero ter ninho. Ao menos ele é dois e no pousar no chão
gelado a sensação é igual para ambos. Na cabeça a gente quer só esquecer, no
coração quer fogo. Uma chama grande de festa junina onde ele possa ficar sempre
aquecido nas noites que caem. Perdão, é que minhas flores da pele precisam de
repente se acalmarem. Lá fora acho linda aquelas florzinhas do jardim, ao meio
dia as rego e o vento as fazem dançar, e é bom, assim as flores de fora mandam
bons ventos pra mim.
Mas meu
problemas ainda estão nos pés. Agora é noite, 19:49 aqui na tela. Inverto um
dos noves é possível desenhar o infinito, menos um oito. Meu coração voltou a
ter uma janela aberta durante as noites. Sabe quando tenho CALMA? É quando
estou como agora, sentada como uma velha, numa cadeira de balanço velha de cor
azul, desbotado. O que mais gosto nela não é o balançar, não é a vista da porta
com um cachorrinho deitado no chão, talvez seja o jardim, talvez seja as flores
de lá. Não, não! O mais importante pra mim, sentada nela, é simplesmente ficar
descalça com os pés no chão, no chão gelado.