22 de set. de 2013



Solitude nos pés. Longe da cabeça, um membro ao norte do coração. Ele pousa no chão gelado, não é pássaro e nem quer ter ninho. Eu também não quero ter ninho.  Ao menos ele é dois e no pousar no chão gelado a sensação é igual para ambos. Na cabeça a gente quer só esquecer, no coração quer fogo. Uma chama grande de festa junina onde ele possa ficar sempre aquecido nas noites que caem. Perdão, é que minhas flores da pele precisam de repente se acalmarem. Lá fora acho linda aquelas florzinhas do jardim, ao meio dia as rego e o vento as fazem dançar, e é bom, assim as flores de fora mandam bons ventos pra mim.
Mas meu problemas ainda estão nos pés. Agora é noite, 19:49 aqui na tela. Inverto um dos noves é possível desenhar o infinito, menos um oito. Meu coração voltou a ter uma janela aberta durante as noites. Sabe quando tenho CALMA? É quando estou como agora, sentada como uma velha, numa cadeira de balanço velha de cor azul, desbotado. O que mais gosto nela não é o balançar, não é a vista da porta com um cachorrinho deitado no chão, talvez seja o jardim, talvez seja as flores de lá. Não, não! O mais importante pra mim, sentada nela, é simplesmente ficar descalça com os pés no chão, no chão gelado.