Perdida, nas mãos, ou no chão, a gente vê tanta coisa jogada fora, a gente se arrepende de ter amado. De ter AMADO, as pessoas se arrependem de der amado, e isso parece tão surreal. Como achar rápido, de novo, aquele caminho bom? Como parar de chorar por dentro? Como catar cada pedacinho e colar de novo? As coisas mudaram, e os sentimentos também.
Alguém me ajude a entender como o coração pode sofrer tanto... Solúvel, efêmero, parece que tudo foi tão rápido como o vento que anuncia a chuva.
Eu não quero mais um coração, seja lá como ele for. Com tudo isso, lembrei da conversa de não deixar nenhum coração gelado. O negócio não é ter um coração gelado, o lance é não ter um. É não ter portas, nem janelas, uma brexa se quer, não deixar o amor entrar.
"O meu objetivo agora é o meu infinito"
6 de mar. de 2014
9 de dez. de 2013
Existe em tempos um sertão dentro da gente, e mora nesse
sertão pessoas que tem o olhar tão lindos e tristes quanto esse sertão. São
olhos lagrimosos, infindos como o horizonte, escuta-se nele uma única música,
melodia do vento.
A gente sente um calor no coração, a gente sente formiga, a
gente sente formigas com asas, a gente vê uma casa de cupim.
Quem é que manda no sertão da gente? Ser tão só, ser tão do
coração da gente. Ser tão infinito.
E mesmo que a gente chore, e mesmo que a gente chove, e
mesmo que a gente estrela, e mesmo que a gente voe e mesmo que a gente pense e
mesmo que fale, e mesmo que a gente queira, é tudo agora. E tudo é tempo.
22 de set. de 2013
Solitude nos
pés. Longe da cabeça, um membro ao norte do coração. Ele pousa no chão gelado,
não é pássaro e nem quer ter ninho. Eu também não quero ter ninho. Ao menos ele é dois e no pousar no chão
gelado a sensação é igual para ambos. Na cabeça a gente quer só esquecer, no
coração quer fogo. Uma chama grande de festa junina onde ele possa ficar sempre
aquecido nas noites que caem. Perdão, é que minhas flores da pele precisam de
repente se acalmarem. Lá fora acho linda aquelas florzinhas do jardim, ao meio
dia as rego e o vento as fazem dançar, e é bom, assim as flores de fora mandam
bons ventos pra mim.
Mas meu
problemas ainda estão nos pés. Agora é noite, 19:49 aqui na tela. Inverto um
dos noves é possível desenhar o infinito, menos um oito. Meu coração voltou a
ter uma janela aberta durante as noites. Sabe quando tenho CALMA? É quando
estou como agora, sentada como uma velha, numa cadeira de balanço velha de cor
azul, desbotado. O que mais gosto nela não é o balançar, não é a vista da porta
com um cachorrinho deitado no chão, talvez seja o jardim, talvez seja as flores
de lá. Não, não! O mais importante pra mim, sentada nela, é simplesmente ficar
descalça com os pés no chão, no chão gelado.
25 de mai. de 2013
11 de mai. de 2013
Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo.
Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que signiï¬camos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto.
José Luís Peixoto - 'Antídoto'
6 de mai. de 2013
24 de abr. de 2013
''Francisco sentou-se no banco ao lado de seu amigo, o Pé de Manga Espada, mas não disse uma palavra. A árvore então falou: é mal de amor que vc tem! O que vc sabe do amor além das marcas que os vândalos e babados gravaram no seu corpo, perguntou Francisco.
– sei que é como eu, um Pé de Manga Espada, e também é igual a qualquer árvore que conheço. O amor nasce de sementes distraídas que brotam ao acaso e então se a morte precoce não as alcança crescem e ganham força. Embaixo, expandem–se fugindo do sol, enraizando–se no profundo do subterrâneo. Lá, onde está o que não se deve mostrar, nossas fraquezas e medos desformes, nossos defeitos e manias, nossas vergonhas, lá em baixo está a fonte das horas difíceis e medrosas do amor, aquelas que ninguém quer ter e lembrar. Os momentos de deleite do amor são como os galhos que buscam a luz do sol, acima de tudo, do perigo e da desventura para o alto crescem diariamente buscando o calor das boas horas do dia, lá em cima onde se revela o melhor de nós, folhas verdes em forma de sorrisos e afagos. A copa da frondosa arvore é a boa ventura do amor. ''
O Céu no Andar de Baixo
– sei que é como eu, um Pé de Manga Espada, e também é igual a qualquer árvore que conheço. O amor nasce de sementes distraídas que brotam ao acaso e então se a morte precoce não as alcança crescem e ganham força. Embaixo, expandem–se fugindo do sol, enraizando–se no profundo do subterrâneo. Lá, onde está o que não se deve mostrar, nossas fraquezas e medos desformes, nossos defeitos e manias, nossas vergonhas, lá em baixo está a fonte das horas difíceis e medrosas do amor, aquelas que ninguém quer ter e lembrar. Os momentos de deleite do amor são como os galhos que buscam a luz do sol, acima de tudo, do perigo e da desventura para o alto crescem diariamente buscando o calor das boas horas do dia, lá em cima onde se revela o melhor de nós, folhas verdes em forma de sorrisos e afagos. A copa da frondosa arvore é a boa ventura do amor. ''
O Céu no Andar de Baixo
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