24 de abr. de 2013


''Francisco sentou-se no banco ao lado de seu amigo, o Pé de Manga Espada, mas não disse uma palavra. A árvore então falou: é mal de amor que vc tem! O que vc sabe do amor além das marcas que os vândalos e babados gravaram no seu corpo, perguntou Francisco.
– sei que é como eu, um Pé de Manga Espada, e também é igual a qualquer árvore que conheço. O amor nasce de sementes distraídas que brotam ao acaso e então se a morte precoce não as alcança crescem e ganham força. Embaixo, expandem–se fugindo do sol, enraizando–se no profundo do subterrâneo. Lá, onde está o que não se deve mostrar, nossas fraquezas e medos desformes, nossos defeitos e manias, nossas vergonhas, lá em baixo está a fonte das horas difíceis e medrosas do amor, aquelas que ninguém quer ter e lembrar. Os momentos de deleite do amor são como os galhos que buscam a luz do sol, acima de tudo, do perigo e da desventura para o alto crescem diariamente buscando o calor das boas horas do dia, lá em cima onde se revela o melhor de nós, folhas verdes em forma de sorrisos e afagos. A copa da frondosa arvore é a boa ventura do amor. ''


O Céu no Andar de Baixo

23 de abr. de 2013


Sei não o que fazer, pra onde olhar. Seria bom adivinhar antes de fazer. Mas hoje a noite é maldosa³, tem dor de cabeça escrota, mas o que incomoda de verdade é o coração ainda pulsar. Pulsar e estar ligado, ter memória triste é o que tem pra hoje. Mas também se sente uma lágrima atrás dos olhos, se sente tudo que não deveria. Onde deixei guardada a razão que eu tento me gabava? As luzinha piscavam, imitavam um céu, ele era meu e a qualquer hora eu podia desliga-lo quando eu quisesse.  Eu não quero mais brincar de caos, caos! Traz-me a tranquilidade, vida besta.

21 de abr. de 2013


Por vezes é necessário nem ver.  Ela procura isso, mas às vezes nem dá pra se fazer tudo que quer.  Te vejo numa fotografia e é tão real a lembrança da tua presença, e tão delicada tua pele, a tua voz escuto perfeitamente.  Mas isso tudo é escolha, e não posso mais me dar ao ridículo de errar ao extremo na desculpa de ser humana.  É uma perda, é uma escolha. E acho eu que já fiz a minha. Para meu contentamento, ou não, sei que o tempo é parceiro, vai nos fazer esquecer de algumas coisas, provavelmente, e o que tiver de ser será, por mais clichê que seja.

Só não deixe que a lembrança ou o amor, vire um mostro ingrato. Apenas deixe de regar. Pois é o que estou fazendo. É o que tenho que fazer.

Talvez a culpa seja da pele, da respiração, necessidades carnais, alguma energia afim. Mas não deu. Às vezes eu procuro uma explicação exata pra tudo isso, mas assim como explicar e apontar o que é a vida, as extensões, as curvas que ela nos mostra e nos deixa na escolha de escolhe – la, também é um desafio.  Eu não quero um desafio tão grande assim, por isso deixo a vida ditar as regras que ela acha que cabe, e assim eu vou seguindo, com  a ajuda do tempo, sem tentar regar algumas daquelas lembranças, essas vontades, esses recortes momentâneos de uma presença proibida.
"Tudo estava preso no seu peito. No peito que só sabia
resignar-se, que só sabia suportar, só sabia pedir perdão, só sabia
perdoar, só aprendera a ter a doçura da infelicidade, e só aprendera
a amar, a amar, a amar."

2 de abr. de 2013


São asas de formiga voláteis
Afinação em pisar com os próprios pés
A lua de costas, eclipse errante,
A gente quando quer e não pode
Céu da boca e saliva,
Situações que parecem mar.
Saliva na língua,
Mar que balança.
Céu na boca.
Bom senso