9 de dez. de 2013



      Existe em tempos um sertão dentro da gente, e mora nesse sertão pessoas que tem o olhar tão lindos e tristes quanto esse sertão. São olhos lagrimosos, infindos como o horizonte, escuta-se nele uma única música, melodia do vento.


       A gente sente um calor no coração, a gente sente formiga, a gente sente formigas com asas, a gente vê uma casa de cupim.


       Quem é que manda no sertão da gente? Ser tão só, ser tão do coração da gente. Ser tão infinito.


E mesmo que a gente chore, e mesmo que a gente chove, e mesmo que a gente estrela, e mesmo que a gente voe e mesmo que a gente pense e mesmo que fale, e mesmo que a gente queira, é tudo agora. E tudo é tempo.

22 de set. de 2013



Solitude nos pés. Longe da cabeça, um membro ao norte do coração. Ele pousa no chão gelado, não é pássaro e nem quer ter ninho. Eu também não quero ter ninho.  Ao menos ele é dois e no pousar no chão gelado a sensação é igual para ambos. Na cabeça a gente quer só esquecer, no coração quer fogo. Uma chama grande de festa junina onde ele possa ficar sempre aquecido nas noites que caem. Perdão, é que minhas flores da pele precisam de repente se acalmarem. Lá fora acho linda aquelas florzinhas do jardim, ao meio dia as rego e o vento as fazem dançar, e é bom, assim as flores de fora mandam bons ventos pra mim.
Mas meu problemas ainda estão nos pés. Agora é noite, 19:49 aqui na tela. Inverto um dos noves é possível desenhar o infinito, menos um oito. Meu coração voltou a ter uma janela aberta durante as noites. Sabe quando tenho CALMA? É quando estou como agora, sentada como uma velha, numa cadeira de balanço velha de cor azul, desbotado. O que mais gosto nela não é o balançar, não é a vista da porta com um cachorrinho deitado no chão, talvez seja o jardim, talvez seja as flores de lá. Não, não! O mais importante pra mim, sentada nela, é simplesmente ficar descalça com os pés no chão, no chão gelado.

25 de mai. de 2013


"Mas o que acontecera ao certo a Sabina? Nada. Deixara um homem porque queria deixa-lo. Esse homem tinha vindo atrás dela? Tinha querido vingar-se? Não. O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser."

11 de mai. de 2013


Como o sangue, corremos dentro dos corpos no momento em que abismos os puxam e devoram. Atravessamos cada ramo das árvores interiores que crescem do peito e se estendem pelos braços, pelas pernas, pelos olhares. As raízes agarram-se ao coração e nós cobrimos cada dedo fino dessas raízes que se fecham e apertam e esmagam essa pedra de fogo. 
Como sangue, somos lágrimas. Como sangue, existimos dentro dos gestos. As palavras são, tantas vezes, feitas daquilo que significamos. E somos o vento, os caminhos do vento sobre os rostos. O vento dentro da escuridão como o único objecto que pode ser tocado. Debaixo da pele, envolvemos as memórias, as ideias, a esperança e o desencanto. 



José Luís Peixoto - 'Antídoto'

6 de mai. de 2013








                                         intenso









24 de abr. de 2013


''Francisco sentou-se no banco ao lado de seu amigo, o Pé de Manga Espada, mas não disse uma palavra. A árvore então falou: é mal de amor que vc tem! O que vc sabe do amor além das marcas que os vândalos e babados gravaram no seu corpo, perguntou Francisco.
– sei que é como eu, um Pé de Manga Espada, e também é igual a qualquer árvore que conheço. O amor nasce de sementes distraídas que brotam ao acaso e então se a morte precoce não as alcança crescem e ganham força. Embaixo, expandem–se fugindo do sol, enraizando–se no profundo do subterrâneo. Lá, onde está o que não se deve mostrar, nossas fraquezas e medos desformes, nossos defeitos e manias, nossas vergonhas, lá em baixo está a fonte das horas difíceis e medrosas do amor, aquelas que ninguém quer ter e lembrar. Os momentos de deleite do amor são como os galhos que buscam a luz do sol, acima de tudo, do perigo e da desventura para o alto crescem diariamente buscando o calor das boas horas do dia, lá em cima onde se revela o melhor de nós, folhas verdes em forma de sorrisos e afagos. A copa da frondosa arvore é a boa ventura do amor. ''


O Céu no Andar de Baixo

23 de abr. de 2013


Sei não o que fazer, pra onde olhar. Seria bom adivinhar antes de fazer. Mas hoje a noite é maldosa³, tem dor de cabeça escrota, mas o que incomoda de verdade é o coração ainda pulsar. Pulsar e estar ligado, ter memória triste é o que tem pra hoje. Mas também se sente uma lágrima atrás dos olhos, se sente tudo que não deveria. Onde deixei guardada a razão que eu tento me gabava? As luzinha piscavam, imitavam um céu, ele era meu e a qualquer hora eu podia desliga-lo quando eu quisesse.  Eu não quero mais brincar de caos, caos! Traz-me a tranquilidade, vida besta.

21 de abr. de 2013


Por vezes é necessário nem ver.  Ela procura isso, mas às vezes nem dá pra se fazer tudo que quer.  Te vejo numa fotografia e é tão real a lembrança da tua presença, e tão delicada tua pele, a tua voz escuto perfeitamente.  Mas isso tudo é escolha, e não posso mais me dar ao ridículo de errar ao extremo na desculpa de ser humana.  É uma perda, é uma escolha. E acho eu que já fiz a minha. Para meu contentamento, ou não, sei que o tempo é parceiro, vai nos fazer esquecer de algumas coisas, provavelmente, e o que tiver de ser será, por mais clichê que seja.

Só não deixe que a lembrança ou o amor, vire um mostro ingrato. Apenas deixe de regar. Pois é o que estou fazendo. É o que tenho que fazer.

Talvez a culpa seja da pele, da respiração, necessidades carnais, alguma energia afim. Mas não deu. Às vezes eu procuro uma explicação exata pra tudo isso, mas assim como explicar e apontar o que é a vida, as extensões, as curvas que ela nos mostra e nos deixa na escolha de escolhe – la, também é um desafio.  Eu não quero um desafio tão grande assim, por isso deixo a vida ditar as regras que ela acha que cabe, e assim eu vou seguindo, com  a ajuda do tempo, sem tentar regar algumas daquelas lembranças, essas vontades, esses recortes momentâneos de uma presença proibida.
"Tudo estava preso no seu peito. No peito que só sabia
resignar-se, que só sabia suportar, só sabia pedir perdão, só sabia
perdoar, só aprendera a ter a doçura da infelicidade, e só aprendera
a amar, a amar, a amar."

2 de abr. de 2013


São asas de formiga voláteis
Afinação em pisar com os próprios pés
A lua de costas, eclipse errante,
A gente quando quer e não pode
Céu da boca e saliva,
Situações que parecem mar.
Saliva na língua,
Mar que balança.
Céu na boca.
Bom senso

30 de mar. de 2013


Pensamento torto
Alma que grita,
Corpo do mal.
Delicadeza
Cristal.

Mande-me alados cavalos marinhos,
Uma lança sem ponta
Armadura
Orações que decretem vitória.
Os mais importantes por menores,
Maiores menores da vida da gente.
Que nossos bons pensamentos não tenham o mesmo fim que

Bolhas de sabão no ar.


14 de mar. de 2013


É tipo quando você quer que dure pra sempre a ultima gota. O sabor era tão bom, mas mesmo assim não soubestes dar valor quando tinha muito, muito além do que queríamos, porque parecia que jamais acabaria.

Ou quando você percebe que o sol,  mesmo sempre esplendoroso durante boa parte do ano, possui horas boas e ruins para toma – lo.

11 de mar. de 2013


Eu sei que todos os dias acontecem por culpa do sol, por culpa dos olhos que  tem vida própria. Eles não respeitam quando ela diz que quer só dormir, que quer esquecer a dor que causa, a dor que também é dela.

Acontece que todos os dias ela ainda quer tem algum poder. É que antes parecia que as coisas se resolviam com mais facilidade, parecia que elas eram mais leves. Mas agora ela sabe, que antes o problema era só o céu, era só a chuva, era só o tempo, ou só a escolha da melhor música
.
Mas hoje ela viu que existem infinitas coisas, infinitos  infinitos. Pessoas, pensamentos, corações. E cada uma delas tem seu próprio céu, sua própria chuva, seu próprio tempo e a sua melhor música.

Ela descobriu também que todo mundo tem torcicolo  e que torcicolo não é só de olhar o céu nas noites de muitas estrelas ou de quando a lua ri de tão cheia.  Ela descobriu que também se olha para o céu para se achar a melhor estrela, se vai ter chuva, ver o tempo, ou simplesmente ver se o sol vai queimar tanto hoje.

Acontece que olhar para o céu também machuca.

Inevitavelmente humana, sem culpa de sê – lo. Sem culpa de errar. Por que quem disse que viemos somente para acertar? Errar. Er  Ar. E sentir nos pulmões o cheiro do  erro,  sentir sem pressa  a tristeza a flor da pele quando sabes que também amas que não és sozinho.


Ter a barriga cheia de ar. Gritar. Ah, como eu queria,  me limpar de vez do erro que aqui deixei plantar. 

Me dê um motivo para





22 de fev. de 2013


As lágrimas de hoje são resultadas das coisas que a gente não consegue ver. São os sinais que damos quando as coisas estão começando a dar errado, são pelas palavras que deixamos sair sem pensar.  Por muitas vezes são palavras tão diretas que elas passam rápido demais para terem a atenção que a deveríamos ter dado.

Poderíamos ter evitado tanta coisa, ter deixado que os planos acontecessem de verdade, que o tempo estivesse à nosso favor. Eu sei que poderíamos ter feito tudo ser perfeito, era para ter sido o sonho que queríamos que fosse.

Me pergunto: “será que erramos de novo nessa vida?”.

Deus, sabes que eu não peço muita coisa, mas hoje, só hoje, peço para que o tempo seja menos pesado com a gente, que ele doa menos nessas noites que caem com um peso tão grande de silêncio triste, de amargura e de saudade. 

20 de fev. de 2013

19 de fev. de 2013

Asteroides, cometas, meteoros ou meteoritos? Parece que tudo vem sendo lançado de foma súbita sobre o que eu digo que sou eu.
Uma estrela acabou de morrer. A gente vê o céu lindo todo dia. Todo dia, sim, até mesmo nos de chuva. Infinito é o céu, e todas as coisas que exitem nele, toda a beleza que a gente não vê. Talvez não estejamos preparados pra ver tudo que acontece lá. Mas uma estrela acabou de morrer. Outra vai nascer ou já esteja nascendo, tudo é questão de tempo.

30 de jan. de 2013


Eu tinha uma história de um rio calmo, com leves brisas de fim de tarde, com cafuné e silêncio de amor 

13 de jan. de 2013

A paz mais esperada é a que vem de dentro da gente. Sem os dias de escutar nossos próprios devaneios. Sem sentir, o furacão, sem sentir, a ventania, o temporal. Porque tudo que esperamos é só um céu azu

12 de jan. de 2013

sinto que as vezes choro sem ao menos jogar uma lágrima pra fora dos olhos. isso é problema de alma?

10 de jan. de 2013

http://www.youtube.com/watch?v=OL_9e7RIldU

Dia desses eu fui doida. Dia desses liguei o botão do mau. E te aconselho  fazer uma vez na vida um dia desses.

Sou meu próprio caos. Eu sou um céu repleto de buracos negros que engolem qualquer coisa que tenha vida. Qualquer coisa que sonhe, que respire, que sinta o vento, qualquer brisa. Eu sou meu próprio furacão, minha próprio dor. Eu sou minha próprio ferida e sinto vida ao me tocar com meu dedos podres de mim mesma. Eu sou minha própria maldade. 

3 de jan. de 2013





eu fui querer fugir, encontrei o céu e mergulhei.



hoje só céus Deus
ainda que só cinza
ainda que só nada
ainda que só nadar em nada
porque também és cor, porque és quando queres
azul.
Cinza também é cor.



      Futuro do Presente do Indicativo


  eu entristecerei
  tu entristecerás
  ele entristecerá
  nós entristeceremos
  vós entristecereis
  eles entristecerão


de novo, novamente e fim.

Quero mergulhar no firmamento infinito de um horizonte longínquo de qualquer litoral humano. Longe de suas loucuras absurdas e tão, tão humanas que são. Embarcar numa viagem de céu, num dia azul, e caso tenha chuva, que venham. Chuva lava. Caso tenha trovoes, que trovejem daí tirarei luz e a energia.

Sinto uma angústia humana de ter sempre o que dizer, mas não saber usar as palavras corretas. É uma confusão cerebral personificada num papel branco que também espera, assim como eu, a claridade de pensamentos caóticos e sentimentos controversos em si próprios.

A única, talvez, ordem encontrada seja a de um português vigilante, os parágrafos, as frases.